Como é a aceitação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho?

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Todos nós sabemos como é difícil conquistar uma vaga de emprego nos dias de hoje. Devido à concorrência acirrada, para não ficarmos para trás precisamos estar sempre em busca de novos cursos de capacitação para aprendizado e desenvolvimento de novas habilidades. Pessoas com deficiência têm as mesmas dificuldades, mas acabam enfrentando também outros problemas, como o preconceito e a ignorância perpetuados no mercado de trabalho.

No Brasil, a Lei Brasileira de Inclusão de Pessoa com Deficiência, n° 13.146/15, garante a elas o direito do trabalho de sua livre escolha e aceitação, garantindo a igualdade de oportunidades com as demais. Na teoria, essa lei deve garantir que todos os profissionais, com deficiência ou não, tenham os mesmos direitos, desde o processo de seleção até promoções de cargo. Mas como é a aceitação das pessoas com deficiência no mercado de trabalho?

A abertura do mercado

Desde 1991, a Lei 8.213/91 obriga que empresas com mais de cem funcionários tenham uma cota de contratação de pessoas com deficiência — entre 2 e 5%, dependendo da quantidade de trabalhadores. Infelizmente, ainda é comum encontrar lugares em que essa lei não é cumprida.

Nas grandes empresas, porém, a abertura de empregos para essas pessoas já é mais frequente, e muitas delas ainda incentivam a interação entre todos os funcionários. Em alguns casos, por exemplo, a empresa chega a oferecer e estimular o aprendizado da língua brasileira de sinais (a LIBRAS) para a comunicação com pessoas com deficiência auditiva.

O governo federal faz sua parte para aumentar a participação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho promovendo a conscientização por meio de programas como a Semana de Mobilização para Inclusão e ações como o Dia D, que reúne empregadores e profissionais com deficiência  em um mesmo ambiente.

Desafios pelo caminho

Devido ao preconceito, por muito tempo a deficiência foi vista como incapacidade ou inabilidade. O maior desafio, então, é superar esse preconceito da cabeça de quem ainda pensa dessa maneira e mostrar que as pessoas com deficiência são capazes de realizar trabalhos com excelência da mesma forma que qualquer outro funcionário.

Outro grande desafio a ser enfrentado é a falta de infraestrutura nas organizações para receber pessoas com deficiência, como rampas de acesso para cadeiras de rodas, banheiros adaptados, informações em braile e sinais sonoros para pessoas com deficiências visuais.

A maioria das vagas destinadas às pessoas com deficiência é operacional, sem muito grau de atração, pois alguns gestores não consideram incluir esses profissionais em vagas estratégicas por achar que são menos produtivos, qualificados e geram maior custo de acessibilidade. Enquanto a questão cultural, movida pelo preconceito, for o maior dos desafios, a inclusão ainda será um passo distante.

Qualificação para trabalhar

O nível de escolaridade das pessoas com deficiência é bem próximo ao dos demais brasileiros. Segundo o Censo 2010, a taxa de educação de nível superior das pessoas com deficiência é de 6,7%, frente a 10,4% das demais. Isso significa dizer que elas não são menos qualificadas ou capacitadas para exercer funções dentro das empresas, inclusive em vagas de alta hierarquia.

Muitas universidades do país já possuem infraestrutura para receber pessoas com deficiência e qualificá-las para o mercado. Além disso, existem muitos cursos profissionalizantes, pagos ou não, destinados especialmente para essas pessoas não ficarem para trás.

O profissional deve, sempre que puder, se manter atualizado em suas qualificações, com cursos, palestras, notícias e artigos sobre seu segmento de trabalho, para garantir que não perca oportunidades de emprego, pois o mercado é sempre bastante acirrado.

O dia a dia no mercado de trabalho

Encontrar uma vaga de emprego na qual queira atuar é o primeiro passo para a independência financeira do profissional. As responsabilidades que o trabalho traz possibilita ao funcionário os sentimentos de capacidade e de importância, fundamentais para promover sua autoconfiança, já que ele percebe que está sendo útil à empresa e a sociedade.

Além disso, uma vez empregadas, as pessoas com deficiência agora fazem parte da população economicamente ativa do país. Esse fator cria um novo grupo de compradores, o que ajuda a aquecer o consumo, alavancando a economia.

Responsabilidade social da organização

É papel da empresa, em especial do departamento de Recursos Humanos, promover a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, divulgando informações e capacitando funcionários para o dia a dia com os novos colegas. Essas iniciativas evitam constrangimentos e preconceitos e promovem a sensibilização dos gestores e trabalhadores para o novo ambiente da companhia.

Por sua vez, os gestores devem garantir que a abertura de vagas proporcione oportunidades iguais às pessoas, com ou sem deficiência, e que todos devem ser avaliados da mesma maneira pelos líderes, sem privilégios ou deméritos para ninguém.

O trabalho socializa, proporciona a interação entre todos os funcionários, permitindo o entrosamento das pessoas com deficiência, acarreta a humanização da empresa e quebra os preconceitos e discriminações que possam existir.

Ao cumprir a inclusão desses profissionais, a empresa cumpre seu papel de responsabilidade social e, além disso, ganha diversos benefícios — por exemplo, a troca de opiniões e experiências que vem com a diversidade, que pode gerar novas ideias para o trabalho e soluções, até então impensáveis, para antigos problemas.

A admissão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho deve sempre ser enxergada com uma oportunidade de crescimento para a empresa e seus funcionários. A vida toma uma nova perspectiva ao conviver com elas, que são pessoas fortes e, apesar da sua diversidade, querem mostrar ao mundo que não são menos capazes que ninguém.

As empresas devem se esforçar para incluir pessoas com deficiência em sua base de funcionários, principalmente se forem qualificados o suficiente para ocupar cargos de níveis mais altos.

Já o profissional, com deficiência ou não, deve sempre buscar vagas em que queira trabalhar, manter-se atualizado, fazer cursos assistir a palestras, e ter uma boa rede de contatos e relacionamentos que possam indicar para novas oportunidades de empregos.

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